O que fazer quando contar as bênçãos não me ajuda a ser grato?

Alguns anos atrás, me senti inspirado a começar a fazer um diário de gratidão. Eu já mantinha um diário, mas decidi expressar mais gratidão nele.

Todos os dias eu reservava um tempo para listar algumas coisas pelas quais eu era grato. Então, eu me fazia a seguinte pergunta:

“Pelo que sou grato?”

Então eu contava as bênçãos e listava pontos como, “sou grato pela minha esposa e filhos, sou grato pela linda casa e comunidade que vivo, etc.”

Pensar sobre gratidão logo que acordava, me fez sorrir e começar bem o meu dia. E ajudou por umas três semanas.

Então descobri que eu estava papagaiando as mesmas coisas. Se tornou algo que eu não gostava de fazer. Se tornou parte de uma lista de tarefas e eu não estava me beneficiando do exercício.

Decidi que talvez uma maneira mais estruturada de pensar sobre gratidão ajudaria. Então, mudei a pergunta para:

Sou grato por _____ porque______; demostro isso ao_____.

E realmente ajudou. Por algumas semanas. Mas aquela repetição se tornou chata e cansativa. Não me entenda mal, sou muito grato por muitas coisas. Mas escrever todos os dias em meu diário sobre gratidão, não era uma delas.

Por que tentar deliberadamente praticar a gratidão todos os dias, se tornou algo chato e mecânico?

Meu diário de gratidão se tornou um diário de culpa. Não estava ajudando. Então, desisti. Desisti de contar minhas bênçãos todos os dias pela manhã como parte de minhas mentas relacionadas a gratidão.

Se fizermos uma pesquisa rápida na internet sobre diário de gratidão, encontramos todos os tipos de pessoas falando sobre o quão maravilhoso é pensar e escrever regularmente sobre gratidão. Será que tem alguma coisa errada comigo? Não consigo nem ser grato?

Dou muito valor a gratidão e sei de sua importância. As virtudes da gratidão incluem melhorar a saúde mental e física, melhorar relacionamentos, e fazer com que sejamos mais felizes e resilientes.

Em Doutrina e Convênios 78:19 lemos

“E aquele que receber todas as coisas com gratidão será glorificado; e as coisas desta Terra ser-lhe-ão acrescentadas, mesmo centuplicadas, sim, mais.”

Lembro de um Devocional na BYU em 2010 onde a irmã Sharon Samuelson compartilhou a história de duas mulheres holandesas, Corrie e Betsie ten Boom, que – que mesmo depois de serem presas por ajudar refugiados judeus durante a Segunda Guerra Mundial – encontravam maneiras de ser gratas por todas as coisas.

Em seu livro The Hiding Place, Corrie explica como a gratidão era a força que as ajudava a sobreviver.

Essas duas irmãs encontravam paz ao ler a Bíblia todos os dias. O medo constante delas era que os guardas confiscassem a bíblia, e que aquela grande fonte de esperança e conforto fosse perdida.

A cela delas era tão infestada de pulgas, que as irmãs não podiam se mover sem instantaneamente ficaram cobertas de bichos. Uma noite, Betsie sugeriu que elas agradecessem a Deus por suas bênçãos – até mesmo pelas pulgas.

Corrie inclinou o rosto, pensando em o que as pulgas ofereciam de bom. Algumas semanas passaram, e a benção das pulgas se tornou aparente: por causa da infestação, os guardas da prisão não pisavam dentro da cela.

A preciosa Bíblia, e a fonte diária de inspiração daquelas irmãs, estava a salvo.

Se essa mulher conseguiu achar uma razão para ser grata pelas pulgas, por que é tão difícil para mim tirar alguns minutos do meu dia para encontrar e sentir gratidão pelas minhas bênçãos?

Por que os meus esforços para “contar as minhas bênçãos” não funcionavam? Minha gratidão se tornou culpa e continuou a piorar.

Recentemente encontrei uma pesquisa que me ajudou a explicar os desafios que encarrei ao tentar contar minhas bênçãos.

Psicólogos estão pesquisando a eficácia de diários de gratidão e os resultas são variados. Para algumas pessoas, escrever as coisas pelas quais são gratos os torna mais felizes.

Mas os pesquisadores também descobriram que para muitas pessoas (como eu), diários de gratidão não tem efeito sobre a felicidade delas.

Em um experimento, os pesquisadores formaram dois grupos aleatórios de pessoas. Eles pediram para um grupo escrever uma narrativa positiva sobre como eles conheceram seus cônjuges. (Sou grato por ter conhecido minha esposa…”)

Eles pediram ao outro grupo que escrevesse uma narrativa imaginando um mundo ilusório, onde eles nunca conheceram seus cônjuges. (“E se eu nunca tivesse conhecido minha esposa?”)

O resultado?

As pessoas que escreveram sobre como seriam suas vidas se nunca tivessem conhecido seus cônjuges, relataram mais felicidade em seus relacionamentos do que as pessoas que escreveram sobre como conheceram seus cônjuges.

Os pesquisadores chamaram isso de “efeito George Bailey”, em homenagem ao clássico filme It’s a wonderful Life (A Felicidade Não se Compra). No filme, Bailey está à beira de cometer suicídio na véspera de Natal, quando um anjo o resgata.

Ao invés de pedir que Bailey contasse as bênçãos, o anjo faz o oposto. Ele leva Bailey para um mundo fictício, onde Bailey não existe. Esse tour mostra para Bailey todas as pessoas que ele já tocou e o faz perceber quão preciosa é a sua vida.

Esse filme capta uma dinâmica psicológica poderosa: A subtração de eventos positivos neutraliza a nossa tendência de não valorizá-los.

Tentei criar o efeito George Bailey em minha vida. Por exemplo, ao invés de expressar gratidão pela minha esposa, pensei em como seria se não nos conhecêssemos.

Pensei em como as maneiras em que minha vida seria muito pior se eu não tivesse conhecido a minha esposa – o companheirismo, a família, as alegrias, as risadas e as aventuras que eu sentiria falta.

Então, comparei aquele universo alternativo com a minha realidade atual, e como a minha vida é infinitamente melhor por termos cruzado nossos caminhos.

Essa abordagem funciona até mesmo para as “pulgas” da minha vida – aqueles períodos difíceis.

E se eu não tivesse passado por isso? Eu certamente perderia alguns dos momentos de construção de caráter, mais profundos da minha vida. Com certeza eu não seria a pessoa que me tornei.

Esse exercício me fez perceber – de um jeito muito mais poderoso que antes – como sou afortunado pelas as pessoas e pelos acontecimentos da minha vida.

Agora, tenho uma perspectiva um pouco diferente sobre a gratidão. Ao invés de contar as bênçãos, acredito que subtrair minhas bênçãos funciona muito bem.

Não posso confirmar ou negar que ao cantar o hino N.º57, você pode me ouvir mudando uma ou das palavras.

“Se da vida as vagas procelosas são,

Se com desalento julgas tudo vão,

Subtraia as muitas bênçãos; dize-as de uma vez

E verás surpreso, quanto Deus já fez.”

Quando subtraio as minhas bênçãos, sinto instantaneamente a gratidão que me coloca em uma perspectiva correta para muitas bênçãos que estou recebendo. Sinto gratidão instantânea pelas ricas bênçãos que caem sobre mim e estão ao meu redor.

Se você tem dificuldade em sentir gratidão, tente o efeito George Bailey em sua vida. Ao invés de contar, tente subtrair as bênçãos. Os resultados podem te surpreender.

Fonte: LDSLiving

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