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Por que a Igreja investe tanto em preservar locais históricos?

Uma casa restaurada em Nauvoo. Um memorial em Council Bluffs. Um centro de visitantes recém-inaugurado ao lado do Templo de Nauvoo. Por trás de cada um desses projetos d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias existe uma pergunta simples, e uma resposta que remonta ao Velho Testamento.

Jacob W. Olmstead, gerente da Divisão de Locais Históricos do Departamento de História da Igreja, e Benedicte Dansie, curadora da mesma divisão, foram convidados a um episódio recente do podcast do Church News para explicar o que motiva tanto investimento em preservação histórica. A conclusão dos dois: locais históricos não servem apenas para contar o passado, eles existem para aproximar as pessoas de Jesus Cristo.

“O objetivo final é ligar essas histórias, eventos e pessoas de volta ao Salvador”, resumiu Olmstead. “A história é importante, e ela pode fortalecer a fé. Mas, no fim das contas, é a conexão com o Salvador que buscamos.”





O que as pedras do Jordão têm a ver com isso

Para explicar essa lógica, Olmstead recorre a um episódio bíblico: a travessia do rio Jordão sob a liderança de Josué, narrada em Josué, capítulo 4. Depois de atravessar o rio, Josué pediu a 12 homens, representando cada uma das tribos de Israel — que retirassem uma pedra do leito do rio e erguessem um monumento com elas (ver Josué 4:1–9).

O propósito, segundo Olmstead, era que, “quando os filhos e as gerações futuras vissem essas pedras, se lembrassem das grandes coisas que o Senhor fez pelos israelitas”. É o mesmo princípio, disse ele, que sustenta o trabalho da Divisão de Locais Históricos: esses lugares “nos ajudam a lembrar das grandes coisas que o Senhor tem feito por nós nesta dispensação”.

locais históricos da Igreja

Do outro lado do mundo, a mesma história de fé

Mais de 25 locais históricos da Igreja podem ser visitados nos Estados Unidos, museus, monumentos e marcos gratuitos, a maioria com atendimento de missionários, que contam a história da Restauração e o sacrifício de quem ajudou a edificar o reino de Deus. Mas a lista não para nos Estados Unidos.

“Ao redor do mundo, existem milhares de lugares que documentam a mão do Senhor na Restauração contínua”, disse Olmstead. Na Inglaterra, por exemplo, estão as capelas de Gadfield Elm e Hyde Park; na Polônia, o centro de Nowy Świat; na Alemanha, uma igreja que preserva a memória de Helmuth Hübener e de seu trabalho durante a Segunda Guerra Mundial.

Dansie resume o motivo de a Igreja manter locais assim espalhados pelo mundo: “Gostamos de poder compartilhar essa história para que as pessoas vejam não só o que aconteceu aqui nos Estados Unidos, mas que a história da Igreja continua acontecendo globalmente.”

Sem passagem para os EUA? Ainda dá para visitar

A maior parte dos Santos dos Últimos Dias jamais vai pisar pessoalmente em Nova York, Pensilvânia, Ohio ou Illinois, mas isso não precisa impedir a experiência. A Divisão de Locais Históricos vem apostando em tours virtuais como alternativa: é possível agendar uma visita ao vivo guiada por missionários, assistir a um vídeo pré-gravado ou navegar por passeios integrados ao Google, com mapas ajustáveis mostrando diferentes ângulos do local.

Dansie descreve como funciona a visita guiada por missionários à distância: “Eles levam você pelo local usando iPhones e outras tecnologias, criando quase uma experiência de chamada de vídeo. Dá para conversar diretamente com um missionário, que vai guiando você pelos espaços.”

Olmstead reconhece que alcançar esse público global por meio de recursos virtuais ainda é “um território inexplorado” para a divisão, mas já estão em teste vídeos em estilo documentário e passeios interativos em 360°, com planos de, no futuro, disponibilizá-los em vários idiomas. A aposta é que essas ferramentas ajudem quem está longe a sentir o espírito e a mensagem de cada local, do mesmo jeito que sentiria estando lá.

“Elas testificam das verdades da Restauração de uma forma bem tangível e envolvente”, afirmou Olmstead. “Muita gente visita os locais históricos e vive uma experiência espiritual poderosa. O testemunho dessas pessoas se fortalece, ou nasce, pela primeira vez, ou de novo, ao sentirem o Espírito naquele lugar.”

locais históricos da Igreja

Os projetos que estão saindo do papel agora

Enquanto a divisão expande o acesso virtual, o trabalho de preservação física segue avançando. Entre os projetos recentes citados por Olmstead e Dansie estão o Memorial de Kanesville, em Council Bluffs, Iowa; o Sítio Histórico da Colina Cumora, próximo a Palmyra, Nova York; e, em Nauvoo, Illinois, o Centro de Visitantes do Templo de Nauvoo, além da restauração da casa de Brigham Young e Mary Ann Young. Na Praça do Templo, um projeto de restauração de vários anos nas casas Beehive e Lion também está perto de ser concluído.

Para os dois entrevistados, é justamente nos bastidores desse tipo de trabalho que a mão do Senhor fica mais visível. “À medida que trabalhamos para desenvolver esses locais históricos, obstáculos se resolvem, respostas chegam, orações são atendidas quando precisamos saber como comunicar as mensagens, e isso é muito inspirador para mim”, disse Olmstead. “Mas o mais importante é a conexão com o Salvador e o papel Dele em nossa vida. […] É incrível fazer parte desse trabalho, sentir esse Espírito e ver o impacto dele na vida das pessoas.”

Fonte: Church News

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