Famílias venezuelanas ganham vida nova em Birigui/SP por meio do Mãos Que Ajudam

Um projeto da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, de Birigui, está recebendo seis famílias de refugiados venezuelanos. Cinco delas já estão no Brasil e outra chega na próxima terça-feira.

De acordo com o presidente regional da sede da igreja, Rodrigo Cruz, a maioria desses venezuelanos já está no Brasil há alguns meses. Eles foram acolhidos por meio do projeto “Mãos Que Ajudam aos Refugiados Venezuelanos”, e estão sendo encaminhados a outros Estados. No Noroeste de São Paulo, apenas Birigui e São José do Rio Preto estão recebendo esses refugiados.

Para acolher esses venezuelanos, a igreja em Birigui alugou e mobiliou seis casas com a ajuda da comunidade. As famílias estão passando por processos de autossuficiência profissional para conseguir entrar no mercado de trabalho. O projeto conta com a parceria de uma empresa aérea que faz o transporte desses refugiados até a região.

Conforme o presidente da sede, o trabalho não para, pois a igreja ainda precisa de doações para ajudar os refugiados. As doações podem ser levadas aos seguintes endereços: rua Fundadores, 664; rua Aviador Geraldo Ciciliatti Lopes, 1667 e rua Bahia, 2121. O telefone de contato é (18) 99710-1717.

A primeira família chegou dia 24 de agosto. Luiz e Luiza começaram a trabalhar na semana passada em uma fábrica de calçados. A filha deles, Gisele, de 2 anos, já até frequenta a creche.

Na segunda-feira chegaram David Madriz, 45 anos, a mulher, Magbet Zorraga, 48, e os filhos, Daniela Madriz, 17, e David Alejandro Madriz, 25. Eles são de Valencia e há nove meses moravam em Boa Vista, capital de Roraima.
A reportagem visitou a casa onde eles estão morando, no bairro Jandaia. Falando um excelente português, Daniela contou que o pai era repórter fotográfico em um jornal na Venezuela enquanto a mãe cuidava da casa.

Daniela cursava ensino médio, mas deixou de frequentar a escola faltando seis meses para terminar. Ela já foi matriculada em uma escola de Birigui e começa a estudar amanhã. O irmão fazia faculdade de Arquitetura, mas trancou o curso por causa da crise que o país passa. David conseguiu emprego em uma fábrica de calçados e começa a trabalhar amanhã.

Segundo a adolescente, o mais difícil na Venezuela era comprar comida. A mãe passava mais de oito horas na fila do supermercado e muitas vezes voltava pra casa sem conseguir o que precisava. David contou que a ideia de deixar a Venezuela partiu dele, depois de sonhar com a bandeira do Brasil. Ele contou para a família sobre o sonho e decidiu orar, pedindo que Deus guiasse o caminho deles. A família alugou a casa onde morava para missionários da igreja e partiu para o Brasil.

As seis famílias que estão sendo recebidas em Birigui eram membros da igreja na Venezuela. Eles entraram no Brasil por Pacaraima, mas moravam em Boa Vista, onde a igreja tem sede. Em Boa Vista, eles sobreviviam com a ajuda da igreja e agora buscam um recomeço em Birigui.

A crise na Venezuela tem atraído milhares de moradores daquele País ao Brasil. No mês passado, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, lançou um pacote de medidas que inclui o chamado “Madurazo”, que é corte de cinco zeros da moeda local, que se chamará bolívar soberano. O país tem uma inflação estimada em 1.000.000% neste ano pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

De 1913 até este ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do país foi reduzido pela metade, segundo o FMI, que prevê uma inflação superior a 13.000% em 2018 e um índice de desemprego de 36% até 2022.

A situação não piorou apenas na Venezuela, mas também no Brasil. Em Roraima, por exemplo, já houve casos de agressões. Em Pacaraima, onde fica a sede da Igreja em Roraima, atualmente, cerca de quatro mil imigrantes estão em abrigos ou nas ruas da cidade, que tem cerca de 12,3 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2017.

No mês passado, moradores de Pacaraima atearam fogo em pertences de venezuelanos e os expulsaram de barracas e abrigos, em um princípio de revolta contra a presença deles na cidade.

Família de venezuelanos se mudou para Araçatuba em busca de recomeço

A Folha da Região mostrou em maio deste ano a história de uma família de venezuelanos que se mudou para Araçatuba. A chegada da família a Araçatuba começou em 2016, com Junnior Cedeño. Um tio dele, que estava na cidade a trabalho, falou sobre as oportunidades do interior paulista e ele decidiu se mudar. Mas a ideia inicial de Junnior era juntar dinheiro para se mudar para a Europa, principalmente Espanha, onde mora o filho dele.

Em 2017 foi a vez do primo dele, Carlos Jimenez Rodriguez, de 28 anos. Em abril vieram a esposa de Carlos, Carolina, 28, a filha deles, Melissa, 2, que já frequenta escola no Brasil, os outros primos Daniel Hurtado, 23, Yorman Arturo Hernandez, 27, Brandao Cedeño, 22 e o tio deles e pai de Brandao, Walter Cedeño, 44. A maioria dos Cedeño trabalhava com venda e comércio e no Brasil partiram para o ramo da alimentação.

Fonte:
http://www.folhadaregiao.com.br/2018/09/09/familias-venezuelanas-ganham-vida-nova-em-birigui

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