Por que a raiva não é eficaz?

Todos nós ficamos irritados e impaciente com membros de nossa família (e outras pessoas) por vários motivos.

A criança que não guarda os brinquedos. O cônjuge que negligencia nossas necessidades. Um vizinho que dá festas barulhentas. As oportunidades para sentir raiva são ilimitadas.

O que as variadas expressões de raiva têm incomum? Todas dizem uma coisa: Você não está seguindo as regras do universo.

Poderíamos argumentar que é natural termos raiva quando alguém não faz o que deveria. Quando uma filha não limpa o quarto ou quando um filho rouba alguns biscoitos, é natural ficar indignado. Ao ameaçarmos e repreendermos eles, sentimos como um se fosse uma causa justa.

Mas a raiva não é eficaz. A raiva não motiva o tipo de mudança que queremos.

Podemos ganhar submissão. A menina pode só empurrar as roupas no armário, o menino pode esconder os biscoitos que pegar. Mas não ganhamos cooperação. Não mudamos corações.

Na verdade, conquistamos o oposto. Machucamos corações. Criamos distância e ressentimento. Enviamos uma mensagem de que só valorizamos quando aquelas pessoas fazem as coisas do nosso jeito.

Um exemplo prático

Me lembro da noite em que nosso filho mais novo encontrou algumas tintas enquanto eu estava distraído, e minha esposa estava em uma reunião. Ele pintou vigorosamente o nosso piso criando um mural de tirar o fôlego.

Quando eu descobri a criação dele, eu poderia ter reagido aos danos e a inconveniência. Eu poderia ter ficado bravo, ter dado um sermão nele e tê-lo punido.

Mas eu não reagi assim. Talvez porque eu ame tanto o Andy e eu sabia que ele não tinha feito por maldade, eu comentei: “Andy, que uso espetacular das cores!” Ele ficou radiante.

Então, expliquei. “Você está vendo esse papel na caixa de tintas? Normalmente pintamos nesse papel especial, então podemos pendurar o nosso trabalho na geladeira e mostrar para a vovó.” Os olhos dele saltaram, “Ah!”

“Mas quando pintamos no chão, as pessoas podem pisar e deixar uma bagunça. Você pode me ajudar a limpar a tinta do chão e então fazer uma nova pintura no papel?”

“Claro, papai!”

Limpamos o piso e o Andy criou um novo desenho – dessa vez no papel. Ele nunca mais pintou o chão.

Eu gostaria de poder dizer que sempre fui bondoso assim. Muitas vezes culpei a Nancy por dar sermão ou punir as crianças. E peço desculpas por isso.

Pesquisas mostras claramente que a raiva é ruim para a nossa saúde. E também é ruim para os nossos relacionamentos. Ela machucava e insulta as pessoas que mais amamos.

A raiva nos transforma em tolos. Limita o nosso pensamento e tira a nossa compaixão. A maioria de nós, não faz boas encolhas quando não usamos nossos corações e mentes, e nossas almas são guiadas para respostas repulsivas.

Como um pesquisador em raiva afirma, “A raiva mata!” Danifica os nossos corações e nossos relacionamentos!

Porque automatizamos a nossa raiva, normalmente não reconhecemos que a raiva não é uma reação necessária em qualquer tipo de situação. É um resultado da nossa interpretação. Podemos não reconhecer que na verdade podemos afastar a raiva. Podemos escolher não ficarmos bravos.

Por exemplo, já perdoamos algumas palavras ofensivas porque elas vieram de amigos bem-intencionados. Deixamos um outro carro entrar em nossa frente porque sentimos que podemos ser gentis.

Um dos perigos de nossa época é que temos tantas maneiras de despersonalizar as pessoas. Ao invés do vizinho, nós temos contato com personagens na TV ou inimigos anônimos dirigindo carros hostis no trânsito. É fácil reagir contra pessoas despersonalizadas – estranhos e inimigos.

Todos nós temos gatilhos para a nossa raiva, pequenas coisas que nos tiram do sério. Alguns nos tratam com desrespeito. Alguns nos cortam no trânsito. Alguns furam a fila. Alguns quebram regras.

Ao invés de enxergarmos uma criança que comete erros e encara desafios, vemos um insurgente, um problema, um incômodo. Não compreendemos e não temos compaixão pelo ofensor.

O Senhor é claro sobre a raiva:

“Todo aquele que se encolerizar contra seu irmão ficará sujeito ao seu julgamento. E todo aquele que disser a seu irmão: Raca, ficará sujeito ao conselho; e todo aquele que lhe disser: Louco, ficará sujeito ao fogo do inferno.” (3 Néfi 12:22)

Jesus ensinou que o que fazemos para o nosso próximo, fazemos para Ele (Mateus 25:31-45). É difícil de nos imaginar dando um sermão em Jesus ou xingando Ele. O Presidente Monson ensinou:

“Nunca permitam que um problema a ser resolvido se torne mais importante do que uma pessoa a ser amada.” (Alegria na Jornada, Outubro2008).

Indignação

Sem dúvidas existe um lugar para a indignação. Existiu um tempo onde se vendia dentro do templo e o mal teve que ser combatido. Mas essa indignação não é a mesma coisa que a raiva. Ela envolve ações pensadas e não duras. Ela é baseada no amor pela bondade ao invés de um ataque motivado pela raiva.

Deus autoriza reprovação dura, somente quando é motivada pelo Espírito Santo e quando estamos dispostos a renovar o relacionamento com amor depois da repreensão. (Ver D&C 121:43-44).

Como nos prevenimos se sermos pegos pela raiva?

Considere se algumas das sugestões abaixo podem ser úteis para você:

1. Podemos ter paz e compaixão em nossos corações. O que ajuda você a afastar o descontentamento do seu coração? O que te traz paz?

2. Podemos reconhecer a irritação como um convite para pararmos o que estamos fazendo e entrarmos na mente e no coração da pessoa que está nos irritando. Como podemos nos programar para reagir de maneira diferente a irritação?

3. Podemos pensar em como responderíamos a Jesus. Como você pode enxergar Jesus em todas as pessoas?

4. Podemos orar por misericórdia celestial. “Jesus, Filho de Deus, tem misericórdia de mim.”

5. Podemos lidar com os problemas de maneira positiva e saudável, quando não estamos com raiva.

Remover a raiva não só beneficia os nossos relacionamentos, mas também melhora o nosso bem-estar.

Um convite…

Da próxima vez que você se sentir com raiva, pare. Verifique as suas suposições. Peça por ajuda do céu. Encontre uma maneira de discutir os seus problemas ao invés de usar a raiva.

Fonte: Meridian Magazine

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