4 coisas que aprendi sobre sobrevivência espiritual nos últimos 4 meses

Se você for como eu, provavelmente já escutou que 2020 tem sido um completo fracasso. Preste atenção em alguns dos eventos mais comentados deste ano: incêndios devastadores na Austrália, a erupção do Vulcão Taal nas Filipinas, a tensão política em todo o Brasil, o assassinato de George Floyd nos Estados Unidos, um terremoto de 7,5 magnitude em Oaxaca, México, e, claro, a pandemia de COVID-19.

Como o Élder Jeffrey R. Holland disse na conferência de abril de 2020, a COVID-19 é um “solene lembrete de que um vírus mil vezes menor do que um grão de areia pode abater populações inteiras e as economias do mundo.”

Mas os efeitos da pandemia não estão apenas no número de casos ou nas vidas que se foram. Os efeitos mentais, sociais e espirituais não podem ser subestimados.

O Washington Post divulgou algumas estatísticas surpreendentes sobre a saúde mental:

  • Uma pesquisa da Kaiser Family Foundation mostrou que quase metade dos norte-americanos relataram que a crise do coronavirus prejudicou sua saúde mental.
  • Uma linha direta emergencial relatou que houve um aumento de mil por cento no número de pessoas com dificuldades emocionais.
  • Talkspace, uma empresa de terapia online, relatou um aumento de 65 por cento na utilização de seus serviços pelos clientes desde fevereiro, com ansiedade relacionada ao coronavírus sendo a preocupação principal dos pacientes.

Pessoalmente, eu também sinto que a pandemia causou uma onda de opiniões sobre a sociedade, e como a tecnologia se tornou o método padrão de comunicação, meus feeds de mídia social foram inundados com mais posts do que eu posso lidar.

Esta “guerra de palavras” é algo que o Profeta Joseph Smith também conhecia, como evidenciado pelo que ele escreveu em sua história pessoal, “Grandes multidões uniram-se aos diferentes grupos, o que criou considerável agitação e divisão entre o povo, clamando alguns “Eis aqui!” e outros “Eis ali!” Criou-se um ambiente de grande confusão e animosidade; de modo que todos os bons sentimentos mútuos, se é que jamais haviam existido, perderam-se inteiramente numa luta de palavras e choque de opiniões” (Joseph Smith—História 1:5-6).

Apesar de todas as vozes e em meio a tanto barulho, havia uma voz que mais importava para Joseph, e é essa voz que deve ser a mais importante para nós em nosso momento de dificuldade—a voz do Senhor.

O Presidente Russell M. Nelson convidou cada um de nós a “pensar profundamente e frequentemente sobre essa pergunta fundamental: Como você O ouve?”

O ano 2020 provavelmente não será um que aparecerá em minhas memórias do Facebook com lindas fotos de viagens ou com os amigos, mas eu acho que 2020 será memorável por uma razão diferente—como eu me concentrei mais em ouvir a voz do Salvador durante “um ambiente de grande confusão e animosidade.”

Aqui estão quatro lições que aprendi nos últimos meses sobre sobrevivência espiritual durante um ano conturbado.

1. Nada é mais importante do que o amor

Às vezes penso nas pessoas que ouviram primeiro a voz do Salvador. Em 3 Néfi 11:29-30, o Salvador instruiu as pessoas nas Américas e disse:

“Pois em verdade, em verdade vos digo que aquele que tem o espírito de discórdia não é meu, mas é do diabo, que é o pai da discórdia e leva a cólera ao coração dos homens, para contenderem uns com os outros.

Eis que esta não é minha doutrina, levar a cólera ao coração dos homens, uns contra os outros; esta, porém, é minha doutrina: que estas coisas devem cessar.”

Em uma declaração conjunta com a NAACP, o Presidente Nelson escreveu: “Jesus Cristo ensinou um modelo inspirado que leva à paz e à harmonia — amar a Deus primeiro, e depois amar ao próximo como a nós mesmos.  Não fingimos que qualquer uma destas buscas seja fácil de alcançar, mas declaramos que elas produzem os frutos que o Senhor prometeu.”

Talvez quando Cristo apresentou estes dois grandes mandamentos, eles foram grandes não só por causa de sua importância, mas por causa do esforço necessário para alcançá-los. Neste momento, talvez todos possamos encontrar maneiras de mostrar um amor maior, tanto o amor a Deus quanto o amor ao próximo.

Como disse Elder Holland na conferência geral, “Essas duas diretrizes divinas ainda são — e serão para todo o sempre — a única real esperança que temos de oferecer a nossos filhos um mundo melhor do que o que eles conhecem agora.”

Então, como demonstramos amor? Por meio das nossas ações. Para combater o mal do racismo, o Presidente Nelson disse: “Precisamos promover um respeito fundamental pela dignidade humana de toda alma humana, independentemente de sua cor, credo ou causa. E precisamos trabalhar incansavelmente para construir pontes de entendimento, em vez de criar muros de segregação.”

Para demonstrar amor durante uma pandemia, líderes de fé de Utah recentemente encorajaram as pessoas a usar máscaras. Talvez o amor possa ser demonstrado simplesmente ao usar máscara em público, e talvez o serviço possa acontecer de maneiras simples também, o que me leva à minha próxima lição.

2. Podemos ministrar de maneiras muito simples

Adoro viajar, especialmente quando chega perto do meu aniversário em maio. Este ano, planejei uma viagem maravilhosa. Passaria meu aniversário em Nauvoo, visitando locais históricos da Igreja e o templo de Nauvoo Illinois. Então, terminaria minha semana com o casamento do meu irmão em Iowa.

Claro, esses planos foram cancelados, e acabei assistindo meu irmão se casar pelo Zoom. Eu comecei a pensar em planos alternativos para o meu aniversário e acabei elaborando uma comemoração que incluiria o meu spa favorito. Mas é claro, estamos em 2020 e o spa não ia abrir a tempo do meu aniversário. Um dia eu estava lamentando sobre esta situação para minha ministradora. Uns dias depois recebi uma mensagem dela. Ela tinha acabado de receber um e-mail sobre um spa que estava aberto e queria compartilhar comigo para que eu pudesse seguir com os meus planos alternativos de aniversário. Era uma coisa tão simples, mas que era significativa para mim.

O seu simples ato de serviço me fez lembrar de um ensinamento da Presidente Jean B. Bingham:

“Às vezes pensamos que temos de fazer algo grandioso e heroico que “conte” como serviço prestado ao próximo. Contudo, simples atos de serviço podem ter um impacto profundo nos outros, assim como em nós mesmos. O que o Salvador fez? Por meio de Suas dádivas celestiais da Expiação e da Ressurreição — que comemoramos neste lindo domingo de Páscoa —, “ninguém mais exerceu uma influência tão profunda sobre todos os que já viveram e ainda viverão sobre a face da Terra”. Mas Ele também sorriu para as pessoas, falou e caminhou com elas, as ouviu, encontrou tempo para elas, as incentivou, ensinou, alimentou e perdoou. Ele serviu à sua família e a seus amigos, vizinhos e a estranhos, e convidou conhecidos e aqueles a quem amava a desfrutarem das ricas bênçãos de Seu evangelho. Esses atos simples de serviço e amor proveem um modelo para o modo como ministramos hoje.”

Servir parece diferente durante a pandemia. Há sempre um grande poder nas interações cara-a-cara. Como o Élder David A. Bednar disse recentemente durante um discurso de referência sobre a liberdade religiosa, “a reunião para adoração não é meramente uma atividade social agradável — é uma parte essencial da vida.”

irmão e irmã

Verdadeiramente precisamos uns dos outros. E agora, à medida que as restrições de pandemia diminuem, talvez possamos procurar formas fisicamente mais distantes para servirmos uns aos outros. À medida que as congregações começam a retornar aos cultos de adoração, podemos notar os que não estão presentes, especialmente as pessoas a quem ministramos. Espero que façamos a nossa parte para cuidar das ovelhas do Senhor, porque, como disse Élder Bednar, “Se os fiéis não estiverem se reunindo, mais cedo ou mais tarde eles começarão a se dispersar.”

E se os irmãos e irmãs que você ministra não voltarem a frequentar as reuniões por causa de suas preocupações com sua própria saúde ou com os indivíduos de alto risco com quem vivem, imagine a solidão que eles devem sentir agora, já que eles têm levado o distanciamento social a sério por meses. Talvez agora, mais do que nunca, estas pessoas precisam ouvir as nossas vozes.

O meu próximo ponto está ligado a este.

3. Às vezes você precisa ser a pessoa que pede ajuda.

No Livro de Mórmon, aprendemos que “A igreja reunia-se frequentemente e para falar a respeito do bem-estar de suas almas.” (Morôni 6:5).

Como mencionei antes, há sérias preocupações com saúde mental que surgiram devido ao coronavírus. E se você está com dificuldade com algo, seja emocional, mental ou espiritual, às vezes você precisa ser a pessoa que procura ajuda.

Esta é uma lição que sinto que tenho que aprender inúmeras vezes na vida. Eu amo minha independência e é muito importante para mim, mas eu acho que parte de “consolar aqueles que necessitam de consolo” é perceber que às vezes é preciso de um pouco de vulnerabilidade para dizer que você é aquele que precisa de ajuda (Mosias 18:9).

Recentemente, aprendi esta lição quando o meu avô faleceu há algumas semanas. Apesar de ter 90 anos, a morte dele me pegou desprevenida. Tive um almoço com ele no sábado anterior com a ajuda da tecnologia e comemos juntos e brincamos sobre quando voltaríamos à Disneylândia, o seu lugar favorito. Três dias depois, recebi a ligação que dizia que a saúde dele tinha piorado de repente. Depois de passar um último dia com ele, ele faleceu naquela noite de causas naturais.

Passei quase todos os sábados da minha vida adulta com o meu avô, e de repente não o ter por perto aumentou os meus próprios sentimentos de solidão durante o isolamento.

Mas fui muito abençoada, pois quando compartilhei essa triste notícia, as pessoas estavam lá para chorar comigo. Em uma ligação do trabalho no dia seguinte ao falecimento do meu avô, eu fiquei envergonhada quando me engasguei depois que alguém me perguntou como eu estava me sentindo, mas instantaneamente eu recebi tantas mensagens de amor e apoio. Perguntei a alguns amigos se podia me sentar com eles por alguns momentos, e a presença deles fez uma grande diferença. Mas, para receber essas bênçãos de conforto, tive que primeiro “falar [com eles] a respeito do bem-estar de [minha] alma” (Morôni 6:5).

Elder Robert D. Hales ensinou: “Quando você tenta viver as experiências da vida sozinho, você não está sendo verdadeiro consigo mesmo, nem com sua missão básica na vida. Indivíduos que estão passando por momentos difíceis muitas vezes dizem: “eu vou fazer isso sozinho”, “deixe-me em paz”, “eu não preciso de você”, “eu posso cuidar de mim mesmo.” Já ouvimos que ninguém é tão rico que não precise da ajuda de outro, ninguém é tão pobre que não seja útil de alguma forma para o próximo. A disposição de pedir ajuda aos outros com confiança, e de concedê-la com bondade, deve fazer parte da nossa própria natureza.”

Às vezes, nós precisamos pedir ajuda – e isso pode ser assustador. Mas há um poder na comunidade do convênio de Cristo e um poder ao convidar essa comunidade para sua vida.

4. Precisamos do Espírito para sobreviver

Falamos muitas vezes da nossa saúde física. E felizmente, as conversas sobre a saúde mental começam a acontecer com mais regularidade. No entanto, raramente falamos sobre nossa saúde espiritual—que pode ser um dos aspectos mais importantes da saúde para se falar.

Há dois anos, o Presidente Nelson disse: “Nos dias que estão por vir, não será possível sobreviver espiritualmente sem a orientação, a direção, o consolo e a influência constante do Espírito Santo.”

Sua saúde espiritual sobreviveu ao coronavírus? Ou talvez sinta que a influência constante do Espírito Santo esteve se esquivando de você durante estas circunstâncias? Talvez sem a força que nos vem da adoração no templo, da renovação semanal dos convênios por meio do sacramento, ou simplesmente de ser capaz de nos reunir, podemos ter desviado um pouco do caminho estreito e apertado.

O evangelho significa “boas novas”, e a boa notícia que sabemos como Santos dos Últimos Dias é que um desvio é apenas isso—um desvio. O Salvador não só fornece um caminho de volta para o caminho estreito e apertado, Ele é o caminho. Ele vai nos levantar e nos carregar de volta. Ele percorreu esse caminho traiçoeiro para que soubesse como nos trazer em segurança para casa.

Em um vídeo recente do Church News, o Presidente Nelson disse: “O caminho será sempre esburacado a frente, mas o destino será sereno e seguro. Então, aperte os cintos, aguente os solavancos e faça o que é certo, e as suas recompensas serão eternas.”

O Salvador quer que sobrevivamos espiritualmente e estará conosco naquela estrada esburacada. Ele é o nosso Redentor. Quando O ouvirmos, seremos levados a recompensas eternas.

Olhar para frente

Em uma entrevista ao Church News sobre a COVID-19, o Élder Quentin L. Cook disse: “Olharemos para trás como um tempo fundamental de preparação e não apenas algo que tivemos que suportar.”

Nosso profeta vivo nos encorajou a “ouvir o Senhor”. E tal como Joseph Smith, talvez tenhamos de peneirar opiniões para encontrar a Sua voz. Talvez as circunstâncias nos estejam permitindo encontrar os nossos próprios bosques sagrados para comungar com Ele, e um quarto silencioso pode ser uma substituição para um bosque.

Acredito que, ao considerarmos como O ouvimos, mesmo em meio à turbulência de 2020, vamos realmente achar que este é “um tempo fundamental de preparação.”

Fonte: LDS Living

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